Quinta-feira, Dezembro 01, 2005

HISTÓRIAS DO CONTINENTE BRANCO


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Às vezes fico com pena das nuvens… Sempre a cirandar de um lado para o outro, ao sabor do vento, sem saber para onde vão, observando tudo desde as vastas altitudes, embora incapazes de tocar o mundo, a não ser quando picam os dedos nos aguçados picos das mais elevadas montanhas.


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Não haverá uma alma caridosa que faça placas ou sinais que indiquem às nuvens “Olhem, vão ali!” ou “Vão antes para ali!”? Se fosse muito complicado indicar a direcção, porque não indicar simplesmente a localização do lugar por onde elas pairam? Assim uma coisa tipo “Aqui é a Serra dos Candeeiros”, mais além é a praia da Nazaré” ou mesmo puxar pela consciência individual, e patrocinando um périplo global, sensibilizar “Esta é a cidade maior e mais pobre do mundo” e “Neste país metade da população está infectada pelo vírus do HIV” e “O aumento da temperatura global já está a fazer descongelar estes glaciares e fazer subir o nível médio do mar em todo o mundo, logo, muito em breve, se quiserem manter a altura média, vão ter de navegar muito mas muito mais alto”.


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Mas não. Tirando os meteorologistas, que têm sempre segundas intenções, ninguém se preocupa com o destino das pobres nuvens.


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Alheias a todos os problemas do mundo dos homens, as nuvens lá continuam a cavalgar pelos céus como sempre fizeram desde tempos imemoriais…


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Sobre a terra…


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Sobre o mar…


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Dia e noite, noite e dia…


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Não há escuridão que chegue para apagar a brancura das nuvens, ainda que a nossos olhos por vezes assim pareça.


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E assim, lá continuam a vogar as nuvens, quais continentes brancos, com as suas praias brancas, cidades brancas, rios brancos, fábricas brancas, onde pessoas brancas vivem as suas vidas brancas, afinal como eu e tu… mas com a vantagem de, pelo menos, e para além de tudo o mais, não terem de se preocupar com a chuva.