
ABARCADO NUM ÚNICO OLHAR

Foto de um curso de água. Retrato morto da vida que corre e se multiplica pelo leito de um pequeno ribeiro.
Fotografia tirada com uma Nikon D70. Tripé e comando remoto absolutamente indispensáveis. Domingo, 18 Setembro de 2005. Seis e trinta e três da tarde. Extensão focal 85 mm. Abertura f25. A exposição foi de 30 segundos.
Quando olhas para esta fotografia vês 30 segundos da vida do mundo condensada numa única imagem.
Já pensaste em tudo o que poderias fazer com trinta segundos?
Vou-te pedir um favor… Pensa no uso mais precioso que poderias dar a 30 segundos.
Pensa naquilo em que esses 30 segundos seriam mais bem gastos, aquilo em que esse dispêndio de tempo seria mais bem empregue.
30 segundos… exactamente o tempo que eu demorei a tirar esta foto.
Ah!, quem me dera, de igual modo, abarcar num único olhar toda a minha vida… Não o movimento duma linha que atravessa horizontalmente o tempo do passado para o futuro, fazendo escala na folha de papel onde agora deposito estas palavras, como um valor inestimável a preservar no cofre inexpugnável das minhas memórias, devaneios e inquietações; mas num movimento vertical, sobrepondo um a um todos os momentos da minha vida passada e futura.
Já pensaste em tudo aquilo que poderias fazer com 30 segundos?
Não, espera!
Espera!
No lugar de pensares no que 30 segundos seriam mais bem gastos, vou pedir-te afinal outro favor: considera o momento, da tua vida real ou imaginada, que mais gostarias de registar em fotografia.
Não uma fotografia qualquer, daquelas instantâneas, congeladas, mas uma fotografia viva que conte a tua história, a tua vida, a tua verdade.
…
Já pensaste?
Então agora… OLHÓ PASSARINHO!!!


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